Um pedacinho de mim

Setembro 02 2010

O ACOLHIMENTO

 

Chegou o dia da partida e, então disse-lhes:

Aquele que te faz mais festa

No dia da tua chegada ou da tua partida

Pode não ser aquele que te acolhe melhor.

 

Parte sem esperares nada de ninguém,

Apenas crente na riqueza de partir.

Se conseguires partir na paz e na alegria,

Porque vais abraçar outro mundo e outra gente,

Estás a demonstrar que o teu coração é enorme

E a tua partida é verdadeira.

 

A tua chegada será também uma chegada verdadeira,

pois será uma bênção para quem te recebe.

Não esperes encontrar a felicidade

Se não a levas já dentro de ti.

Enquanto anseias que os outros te façam feliz

Vais destruindo nos outros a capacidade de o fazer.

 

Todo aquele que parte tem que ser por si só uma bênção.

 A sua chegada deve despertar e unir os outros gerando neles

a capacidade de acolher.

 

No acolhimento é tão responsável

Quem chega como quem recebe.

Se alguma vez te sentiste mal acolhido

Deves perguntar se a tua partida e chegada

Foi uma entrega de generosidade

Que enriqueceu os outros

Ou se, pelo contrário, foi uma busca

De satisfação do teu egoísmo.

 

A riqueza da tua chegada

está na quantidade e qualidade de alegria

que conseguiu gerar nos outros.

 

Se a tua chegada é verdadeira

Vais sentir-te solidário com quem te recebe

E saberás sentir-te bem

De qualquer jeito que as pessoas forem.

É muito importante a tua capacidade

De simpatia e comunhão.

 

Quanto tu partes deves ter uma carga

De amor maior Do que quem te recebe

E desse modo compreenderás que todo o acolhimento que os outros te fizerem

Começa em ti.

 

Há muitas maneiras de acolher,

Mas a única verdadeira

É aquela que dá à pessoa

A possibilidade de ser ela mesma.

 

É muito bonito que te recebam

Com flores e canções,

Mas aquele que foi capaz de passar

Dois meses em silêncio a teu lado

Conscientemente à espera do que querias fazer

Teve uma capacidade de acolhimento

Tão bonita ou mais que a das flores.

 

O acolhimento verdadeiro

É aquele que cria condições para a pessoa

Se integrar na totalidade da vida,

Dentro das suas posses.

 

O acolhimento é festa

E é entrega na acção.

É uma celebração da riqueza humana,

Da pessoa em si,

E celebração de um projecto.

 

O acolhimento é sobretudo um encontro

Em que todos têm que se abrir

À volta da riqueza da unidade.

 

Se vais à espera de muitas coisas

Já estás a partir em inferioridade.

E se partes em inferioridade

Nunca te sentirás acolhido.

 

Por isso, Cristo te diz:

Não leves bolsa, nem alforge, nem duas túnicas…

Ou seja, não esperes dos outros,

Porque a tua riqueza humana e divina Te basta.

Acolhe para seres acolhido.

 

Se não aceitas a maneira como te acolhem

Não estás a acolher os outros,

E desse modo como podes exigir

Acolhimento a alguém?

 

Pe. Zé Luís

publicado por Ana Barreira às 22:58

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